Motor & Cia

POR aí de BMW S1000XR – O X da questão

17 de novembro de 2016 Motos, Vídeos

Viajar de moto é sempre uma aventura e dessa vez estive acompanhado de amigos, ao contrário da última vez que fui sozinho.

A moto da vez foi uma BMW S1000XR, recente lançamento da BMW Motorrad que encantou muitas pessoas.

trippsss-148 trippsss-161

Com a Ducati Multistrada 1200 no alvo a S1000XR traz versatilidade e conforto alinhado a esportividade da S1000RR. De acordo com a BMW, a XR tem o mesmo motor da sua irmã esportiva, porém menos potente chegando aos 160HP e 11.2kg de torque.

Apesar de sua aparência remeter a uma Big Trail ela é totalmente voltada para o asfalto com rodas de 17” e pneus esportivos 100% on-road.

Os primeiros 50km pilotados são sempre aqueles que você fica surpreso e perplexo com o que a motocicleta oferece e no caso da S1000XR o que mais me encantou foi o Quickshifter.

Sua posição de pilotagem ereta e com o guidão largo faz com que você pilote por horas confortavelmente.
Bom, hora de arrumar a bolsa e acertar o horário de encontro com os amigos. Saímos de Indaiatuba-SP no sábado de manhã, por volta das 07:00h para encontrar com um amigo em Itu e de lá partimos para Piedade para encontrar os outros dois e assim começarmos nossa aventura.

NOSSA HISTÓRIA, EM PRIMEIRA PESSOA!

As 10:00 ja estávamos na estrada a caminho da Serra da Cabeça da Anta, estrada que da acesso a praia de Ilha Comprida. Logo no começo da serra entramos em uma estrada de terra, antes de prosseguirmos desativei o controle de tração e o ABS e redobrei o cuidado, afinal eu estava com um pneu 100% on road. Prosseguimos e não tomei nenhum susto na terra, nossa primeira parada foi a cachoeira do chá, localizada na cidade de Tapiraí, a uns 60km de Piedade. O lugar é muito bonito com uma pequena trilha de aproximadamente 5 minutos, a água estava congelante, e não é exagero. De banho tomado seguimos viagem sentido Ilha Comprida.

trippsss-11

A estrada repleta de curvas foi um convite e tanto para saborear com gosto o espírito de esportividade da S1000XR. Sentir o seu motor de 4 cilindros enchendo e usando o Quickshifter para trocar as marchas sem precisar usar a embreagem e sem tirar a mão do acelerador é uma sensação que até arrepia. Ela tem 4 modos de pilotagem: Rain, Road, Dynamic e Dynamic Pro. No modo Rain ela ja supera os 140cv mas é no Dynamic que ela te empurra brutalmente. Apesar de ser uma Maxitrail, se eu não pudesse enxergar qual moto é eu diria que seria uma esportiva, além de uma rápida aceleração podemos escutar o ronco encorpado dos 4 cilindros subindo, característica marcante das motos super esportivas.

As curvas se tornaram um parque de diversões e mesmo com garupa eu conseguia inclinar e ter uma retomada estigante.

Depois da diversão no asfalto resolvemos passar pela estrada do despraiados, sentido Ilha comprida.
Fazer esse roteiro com a S1000XR foi um grande desafio por conta do pneu voltado para o asfalto, mas nada que impediu de continuar. Percorremos entre lama, pedregulhos e até atravessamos um riacho, tudo sem nenhum problema, apenas com a cautela redobrada.

27711e4b-e61c-48b8-b091-194c4710d713

trippsss-1727c3acee-4541-4d8e-b2ce-312203773cbf

trippsss-60

No meio da trilha paramos em outra cachoeira para refrescar e seguimos, afinal já estávamos perto da praia.

Chegamos em ilha comprida por volta das 17h e seguimos para Cananéia beirando o mar, onde atravessamos a Ilha e pegamos uma balsa.
Ficamos em uma pousada para no dia seguinte seguirmos viagem para a Caverna do Diabo.
Domingo de manhã e um dos nossos amigos teve que voltar para São Paulo por motivos particulares e seguimos viagem nós quatro. Saímos de Cananéia e fomos sentido Eldorado para pegar o acesso para a Caverna do Diabo.

trippsss-97

A estrada é linda e foi inevitável parar a moto para fazer fotos. Localizado ao Sul do estado de São Paulo, na região do Vale do Ribeira, o Parque Estadual Caverna do Diabo possui um rico ecossistema, que atrai visitantes do mundo inteiro.

Ao entrar nela é incrível como a natureza vive, todas aquelas formações, a grandiosidade da caverna chega a assustar, com mais de 6.000 metros de extensão sua visitação é aberta somente para 600 metros mas você pode agendar com um guia uma travessia pelos 6.000 metros que segundo o guia que estava com a gente demora cerca de 12 horas para fazer.

trippsss-117

Após conhecer a caverna e almoçar era hora de voltar para casa, 10 minutos depois de sair da Caverna do Diabo eis a surpresa: pneu de trás furado. Furou na estrada que da acesso a cidade de Iporanga por volta das 15h30h. Enquanto eu aguardava no acostamento um dos meus amigos foi até a cidade procurar ajuda e achou uma simpática senhora que veio resgatar com uma Saveiro.

Ao chegar na borracharia da pequena cidade de Iporanga eles não tinham a chave para retirar a roda e conseguiram colocar uma “tripinha” para tampar o vazamento, aparentemente havia resolvido o problema e resolvemos seguir viagem.

Um de nossos amigos foi para Curitiba e restou apenas eu e mais dois amigos, sendo um na garupa comigo. Voltamos sentido rodovia Regis Bittencourt e perto de chegar, a “tripinha” saiu do pneu e voltamos ao zero novamente, meu amigo passou para garupa da outra moto e levei por alguns km até a próxima borracharia onde o borracheiro conseguiu retirar a roda e fazer um remendo por dentro mas não garantiu nada pois era grande o rasgo, sem escolha eu torci pra aguentar até chegar em casa mas infelizmente o remendo soltou no meio da rodovia, para minha sorte estava próximo a Juquiá onde eu consegui levar indo devagar.

Ao chegar na borracharia por volta das 19h00 estávamos cansados e inseguros, meu amigo precisava voltar pra São Paulo pela rodovia Regis Bittencourt e eu encarar a subida da serra da anta para chegar em Sorocaba e depois seguir para indaiatuba. Sendo assim ele se despediu e foi pra SP ficando eu e meu amigo na borracharia de Juquiá a espera do remendo ficar pronto. Dessa vez o borracheiro me deu a certeza de que aguentaria chegar em Indaiatuba mas mesmo assim fiquei meio apreensivo mas sem escolhas coloquei o capacete, parei no próximo posto, abasteci, e segui viagem.

A subida foi tensa, estava começando a chuviscar e a temperatura caindo, o que me salvou foi o aquecedor de manopla da BMW S1000XR que tinha dois níveis. Depois de muita neblina e frio saímos da serra e chegamos em Indaiatuba-SP por volta das 22h cansados e só querendo um banho e dormir.
São aventuras como essas que nos mostram como estamos vivos e como é maravilhoso viver, passaria por tudo isso novamente.

Texto: Rodrigo Wood
Fotos: Rodrigo Wood