De fato, o verdadeiro sentido da vida está na busca da realização de nossos sonhos e em sermos pessoas melhores, e não apenas vivermos por viver. E isso eu descobri bem cedo, quando percebi que em pequenas coisas que eu passava dias e até meses desejando e me esforçando, por uma forma divina, eu conseguia realizar os meus sonhos.

Fui crescendo, estudando, ralando bastante, e tornando a dimensão dos sonhos cada vez maior. Quando pequeno, o vício por motocicletas e afins vivia estampado na minha cara, e o desejo de um dia ser um engenheiro, ou ter um trabalho que vivesse em meio ao mundo das motos – como um piloto de testes talvez – era um SONHO, um sonho tão distante, que eu mal podia imaginar como faria para realizá-lo. Quando me dei conta, e percebi que Deus enxergava cada passo nosso aqui na Terra, e que nossos sonhos eram capazes sim de serem realizados, foi que descobri que nós, seres humanos, tínhamos um grande poder – talvez o maior poder de todos – que é o poder de guiar as nossas vidas, e eu, assim como em meus sonhos, vim trabalhar exatamente com o que eu tanto desejava, pilotando, escrevendo e ensinando sobre carros e motos.É óbvio que o sonho de muitos jornalistas, além de pilotar os mais desejados carros e motos que existem no mundo, é o de, talvez um dia, virarem pilotos profissionais e terem o prazer de participarem de algum campeonato do qual possam, de fato, extrair todo o conhecimento e vivência que tiveram durante anos e anos trabalhando no segmento.Após participar da prova 500 Milhas de Interlagos no começo do ano e, apesar de toda adversidade, garantir um podium, foi o que eu precisava para correr atrás de mais um sonho. Tornar-me piloto de Motovelocidade.

Praticamente dois meses de negociação com uma fabricante japonesa de motocicletas, tudo certo para entrarmos no campeonato SuperBike Series Brasil, e NADA das motos. A poucos dias da primeira etapa, ainda não tínhamos uma resposta concreta da fábrica, mas como tudo acontece da maneira que tem que acontecer, fiquei tranquilo e deixei rolar.  Faltando uma semana para a primeira etapa, recebi um telefonema do proprietário do Grupo Lelis MotorSport de Campinas-SP, e um convite que até então não estava nos planos, mas me surpreendeu de uma tal forma que eu fiquei meio bobo e sem acreditar que era verdade. Mais um sonho estava para ser realizado: participar do campeonato SuperBike Series pela equipe Lelis Racing TEAM com uma motocicleta Premium Italiana, cobiçada por muitos, a MV Agusta F4.Esqueça tudo que você sabe sobre correr contra o tempo. Os treinos para a primeira etapa do campeonato começavam no dia 08 de Março, e no dia 04, quando eu e o grande Marião, diretor da empresa Jeskap Escapamentos Esportivos – a maior fabricante de escapamento para motos da América Latina -, fomos buscar a moto na cede da MV Agusta em São Paulo, nos deparamos com a F4 toda desmontada e faltando inúmeras peças. Bastou um olhar do Marião para sabermos que seria praticamente impossível desenvolver o escapamento em um dia e meio, devolver a moto para a MV na quarta cedo, terminar de montar a moto, e a oficina da Lelis de Campinas retirar a obra de arte Italiana na quinta-feira para prepararem a moto para pista e estarmos treinando na sexta cedo. Ufaaa! Se eu cansei em descrever tudo isso, imagina quem trabalhou no projeto. O Marião da Jeskap, junto com o Fernando do desenvolvimento, trabalharam até altas horas da madrugada, apenas afirmando todo o comprometimento que a Jeskap teve comigo, com a Lelis Racing TEAM, e que tem com todos os clientes e fãs da marca.No dia 07 de Março, às 20h, a nossa queridinha MV Agusta F4 finalmente chegou na oficina Lelis MotoSport em Campinas, e nesse exato momento começou, mais uma vez, a corrida contra o tempo. Os mecânicos trabalharam metade da madrugada montando a carenagem de pista e fazendo os ajustes necessários para a homologação da moto e, no outro dia, sexta-feira, às 7h da manhã já estávamos em Interlagos. Costumo dizer que nós, humildes seres humanos, sozinhos não fazemos simplesmente nada, e eu devo a possibilidade de poder entrar na pista aos meus queridos amigos mecânicos e ao chefe de equipe Renato Bonafe.A Italiana F4 é composta por um motor de 4 cilindros em linha DOHC  com válvulas radiais de 186cv de potência máxima aos 12.900 rpm e 11,4 kilos de torque a  9.500 rpm, até ai tudo bem, muito parecida com outras motos esportivas japonesas e até menos potentes que algumas comercializadas no nosso mercado. O primeiro contato com a moto foi praticamente aprender a andar do zero, pois a Italiana tem comportamentos muito diferentes das japonesas. Como parâmetro, vou usar a Suzuki GSX-R 1000 que é a moto esportiva que mais andei em toda minha vida.A F4 é extremamente forte em baixas e médias rotações, sendo possível sentir toda a potência que ela pode entregar logo na primeira volta e com muita sensibilidade. Felizmente, somos salvos pelo controle de tração, que limita as escorregadas de traseira em saídas de curvas, mais conhecidas como Power Slides. A posição de pilotagem é bem Racing, projetando o corpo do piloto para frente, e o tanque mais baixo facilita para que se possa carenar melhor sobre a moto. Apesar de ser um conjunto bem rígido e extremamente equilibrado, a grande dificuldade fica em administrar o “peso” da motocicleta em mudanças de direção como, por exemplo, no “S” do Senna no Autódromo de Interlagos, a F4, para quem está acostumado com motos japonesas, se comporta de uma forma mais lenta, exigindo uma reprogramação da mente do piloto. Assumo que apanhei bastante até começar a entender como ela se comportava em curvas e em mudanças de direção, e afirmo: foi questão de tempo para ir acostumando e pegando gosto pela italiana MV. Os tempos de voltas que insistiam em girar em torno de 1’54″ no primeiro dia de treino, chegaram aos 1’49″ durante a corrida do domingo e, infelizmente, esta passou rápido demais, estava gostando tanto da brincadeira que tinha certeza que, com mais algumas voltas, seria possível tirar em torno de mais 2 segundos.Primeira etapa do campeonato SuperBike Series Brasil, Equipe Lelis Racing TEAM, moto Mv Agusta F4, escapamento Jeskap Evolution Titânio, moto completamente original, e categoria SuperBike PRO Amador. Bom, o resumo da minha primeira corrida foi satisfatório. Largando em 20 lugar (último) no grid, entre os melhores pilotos do Brasil e com transmissão ao vivo pela RedeTV, errei a largada, mas logo no “S” do Senna consegui me recuperar fazendo a primeira ultrapassagem; na segunda volta já havia ultrapassado mais duas motos; ainda somando mais dois tombos que ocorreram durante a prova, consegui terminar a corrida em 15º lugar. Em um comparativo com a categoria Superbike Light, que contou com 54 motos, lotando o  Grid de largada, teria conseguido andar entre os 6 primeiros.

A belíssima equipe Lelis Racing TEAM, responsável por todo o trabalho desenvolvido durante o final de semana.

A maior satisfação que tenho em minha vida, após ter superado e conquistado tantas coisas – como a minha profissão, os negócios da empresa Motor&CIA, agora como piloto da Equipe Lelis Racing TEAM – e que há pouco tempo compartilhava com os amigos meu sonho tão distante em ser um piloto de motos e carros, é ter hoje criado e mantido inúmeros amigos e familiares que me acompanham e desejam sempre boas vibrações e que torcem pelo sucesso dia após dia. Afinal, as coisas vêm e vão, mas o que resta no final das contas são as boas histórias e as amizades, e é isso que a família Motor&CIA tem como maior valor.Esses são os responsáveis pela minha paixão por motos. O tio Charles do lado esquerdo que me ensinou a andar de motos desde os 11 anos de idade, e o outro Tio, Linaldo, que me proporcionou a minha primeira moto. É uma honra te-los ao meu lado. Obrigado.E a nossa história no Campeonato SuperBike Series Brasil continua na próxima etapa, dia 14 de Abril em Santa Cruz do Sul-RS.

Até a próxima corrida.

Texto: Ricardo Fox
Fotos: Thyago Fernandes / Ricardo B. Santos / Josué A. Vicente

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